Estágios EHTL - À Conversa com a Drª Ana Moreira

Estivemos à conversa com a Dr.ª Ana Moreira, responsável pela colocação de estágios na EHTL, a qual amavelmente nos transmitiu a importância de existir um momento de confronto directo com a realidade – o estágio.

A entrevista é extensa mas toca em pontos fundamentais para quem está, ou quer estar no curso.

1. É do conhecimento dos alunos internos que os cursos obedecem a um período de estágio. Qual a importância deste item no nosso plano curricular?

O estágio é o momento fulcral no processo de aprendizagem dos vossos cursos, portanto é o momento em que vocês têm o confronto directo com a realidade e têm uma oportunidade de terem um contacto directo com as equipas profissionais e aperceberem-se da realidade do mundo do trabalho. Por outro lado têm a oportunidade de pôr em prática um conjunto de competências que foram desenvolvendo durante o 1º e o 2º semestre do vosso curso. E portanto é aqui aquele momento, pelo qual os alunos mais anseiam pelo facto de poderem pôr à prova, se efectivamente esta é a área que quer seguir como profissão é, no fundo, a prova dos nove. E faz todo o sentido que seja não no final mas nesta fase porque vocês têm a oportunidade ainda de voltar à escola e consolidar um conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo desse período. Como desvantagem é comum para todos o facto de já estarem numa fase de vinculação a uma equipa, a uma estrutura e dentro de uma organização e terem que cortar esse vínculo para voltar à escola, portanto quando havia ali oportunidades de continuidade e de ficarem integrados logo na empresa. Contudo, a grande vantagem é que vocês voltam à escola com um conhecimento do mundo real e já com essa experiência vivida e digerida para poderem dar um salto para depois abraçarem outro tipo de desafios no futuro.

2. Analisando a perspectiva de estágio em terras portuguesas, quais os protocolos existentes?

Não existe protocolos entre a nossa escola e entidades portuguesas. É assinado um protocolo que acaba por ser mais um pró-forma sobretudo para salvaguardar quer direitos quer deveres de parte a parte. As empresas, em concreto, no que respeita a integração de um pertenço que pode ser confundido com um trabalhador e que efectivamente é um aluno. E portanto está durante um período limitado e isso tem associado um conjunto de benefícios fiscais e a nível da segurança social na parte das empresas que com um trabalhador normal teria que o assegurar. Há aqui uma relação, digamos de ganho a ganho por ambas as partes. Os protocolos que existem transcrevem uma relação de confiança que se vai alimentando todos os anos, face ao reconhecimento do trabalho que é feito na escola e por outro lado do reconhecimento que é feito da escola relativamente à empresa pelo trabalho que desenvolvem e as oportunidades que no fundo proporcionam aos nossos alunos. A nossa grande vantagem é por sermos a primeira Escola de Hotelaria e Turismo a nível nacional e em termos uma forte imagem dentro do sector de hotelaria, no que diz respeito ao reconhecimento dos profissionais que nós colocamos no mercado. Daí que é muito comum eu receber e-mails, contactos telefónicos de antigos alunos a dizerem “Drª Ana, estou agora aqui e gostaria de receber alunos da escola a estagiar conosco…” agora já não como alunos, mas como profissionais e para nós é muito gratificante. Sabemos que a primeira prioridade em termos de colocação de estagiários é dada à Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa e isso é a informação que tentamos passar para os alunos que vão ter a sua primeira experiência em termos de estágio, para eles sentirem qual é a responsabilidade que têm em cima dos seus ombros, porque são a imagem da Escola, são quem abre e fecha portas noutras empresas para futuros alunos. A nível nacional posso dizer que desde sempre trabalhamos com todos os hotéis de 5 estrelas de Lisboa e a grande maioria dos hotéis de 4 estrelas, excepto os que são só residenciais, portanto os que não tem um departamento de alimentação e bebidas, mas há aquelas casas clássicas como o Ritz, o Tivoli, o Pestana Palace, o Lisboa Plaza, o Sheraton, que são nossos parceiros desde sempre.

3. E para os que atravessam fronteiras, com que protocolos podem contar?

Efectivamente com o exterior não existe esta relação de proximidade embora as novas tecnologias hoje em dia tenham esta vantagem de nos aproximarem com muita mais facilidade e de haver contactos. Agora há um conjunto de unidades em que nós já temos colocado alunos, muito por iniciativa dos próprios mas isso tem a ver com a própria realidade da Escola também. Porque até ao ano passado, a grande maioria dos nossos alunos eram muito jovens e estavam a frequentar os cursos de nível 4, portanto uma dupla certificação e nestes casos não assumíamos, a não ser que houvesse algum acompanhamento familiar privilegiado, a responsabilidade de estar a enviar para fora alunos com 16 anos, que não tem ainda uma estrutura e maturidade, sobretudo num primeiro estágio para lidarem com a pressão, com a ausência de apoio, com toda a ansiedade que está associada. Porém este ano, a população da Escola mudou e temos uma maioria dos alunos no âmbito dos cursos de nível 5 e muito mais adulta e isto de facto, fez-nos incentivar que procurassem estágios internacionais e portanto eu estou convicta que este ano vamos abrir portas, que são portas que ficaram abertas para o futuro, mas está sobretudo nas vossas mãos!

4. Em termos nacionais e externos quais as ajudas fiandeiras que a Escola disponibiliza?

Existe um projecto a nível central para toda a rede de Escolas do Turismo de Portugal em que serão dados apoios em numerário, ou seja um valor fixo para cobrir algumas despesas e que andara em média por volta dos 500 euros, porém isso tem a ver com as médias do curso e com as despesas que estão associadas à deslocação. Porém temos alguns estágios internacionais cujos os custos são totalmente assegurados pelo Turismo de Portugal e parte pela entidade que os vai acolher. Outros ainda, foram as unidades que tiveram a iniciativa de entrar em contacto connosco nomeadamente o grupo grego o Altemar. Através de um aluno iremos colocar estagiários na Cadeia Mandarin Oriental em Barcelona e Tenerife. Numa situação mais pontual teremos alunos a estagiar em restaurantes com estrelas Michelin em Nova York no Aldain e em França no Sérgio Vieira. Estes contactos foram desenvolvidos em apoios a demosntrações, o que quer dizer que as oportunidades surgem, por vezes, do nada, bastando para isso haver vontade. Também estou confiante, que o Festival Cinema e Sabores irá abrir portas para no futuro, através das embaixadas, conquistar outros países e cadeias internacionais. É no fundo um caminho que se faz caminhando.

5. Que tendências se verifica nos alunos, Estrangeiro ou Portugal?

Continuamos a ter uma maioria de alunos que vão estagiar no território nacional incluindo ilhas e este ano temos muitos alunos a ir para a Madeira, que também é um destino turístico por excelência com uma hotelaria de topo entre 4 e 5 estrelas e que trabalha bem. E o que vejo é os alunos a apostarem em cadeias nacionais com hotéis fora de Portugal o que poderá ser uma oportunidade no futuro para outros voos.

E Lisboa ou fora de Lisboa?

Eu este ano senti que há uma fuga a Lisboa, o que me entristece de alguma forma, porque acho que Lisboa é um mercado fantástico em termos de oportunidade de emprego. Percebo as opções, mas penso que o objectivo no final do curso para muitos de vós será trabalhar em Lisboa, mas que agora querem aproveitar esta oportunidade para conhecerem outro tipo de hotéis e terem outro tipo de experiencias. Nomeadamente os Resorts que são aqueles que tem também maior actividade durante o período de Verão. E para isso não se esqueçam que a vossa grande vantagem relativamente a outras Escolas Hoteleiras é que são os únicos que têm já praticas reais em Hotel de Aplicação. O que me faz querer, que este ano vamos começar a sentir diferença em termos da facilidade com que vão ter na integração de uma equipa profissional, porque já não vão com uma ansiedade de quem vai pela primeira vez e portanto mesmo havendo alguma ansiedade porque vão para um ambiente que não conhecem, trabalhar com pessoas que não conhecem e com estruturas com uma forma diferente, porque há diferenças entre a cultura organizacional de várias unidades hoteleiras diferentes de grupo para grupo, de hotel para hotel, mas de qualquer forma já estará criada uma base de segurança que não teria sido possível se vocês não tivessem passado por esta experiência aqui na vossa formação durante estes 2 semestres de escola e no hotel de aplicação.

Alunos procuram estágios sozinhos?

Eu este ano vi muitos alunos a terem iniciativa, às vezes perdem-se e dispersam-se em tantos contactos que fazem e depois surge algumas situações de conflitos no meio de várias confirmações que têm. Mas por uma questão de bom senso é lógico que nós aconselhamos vocês a enviarem o curriculum e propostas a varias unidades, mas a partir do momento em que assumem um compromisso devem cumprir e honrar esse compromisso. É uma questão ética, é uma questão profissional.

6. Como acontece o processo de selecção dos alunos para as respectivas entidades hoteleiras?

Esse era um processo mais difícil quando tínhamos uma realidade de ter alunos mais jovens porque aí, a Escola fazia a distribuição efectiva mediante varias técnicas e mediante o perfil do aluno e das características do Hotel ou do restaurante onde os colocávamos. Neste momento como incentivamos muito, porque também entendemos que é fundamental vocês passarem por este processo, saberem “Vender” e nesse caso são vocês que conquistam o lugar e todo esse processo faz com que os próprios alunos assumam um compromisso relativamente a empresa ao estágio e as vezes vão acompanhar o processo muito maior do que uma simples colocação administrativa por parte da Escola, porque a vossa vinculação criada é completamente diferente uma vez que foram vocês que fizeram a opção, tomaram as decisões e tiveram contacto com as próprias pessoas do Hotel e portanto acho que é uma mais-valia e que vos prepara para um futuro próximo. E isto é no fundo vocês terem a percepção de lidar com a rejeição e o facto de não terem sido preferidos em relação a outros candidatos, o que faz com que vocês pressionem “onde é que eu falhei, … o que é que eu tenho que limar, … o que é que eu tenho que evoluir para que na próxima situação que isto ocorra ser eu o beneficiado?”. E portanto acho que é bom também vocês serem sujeitos a este tipo de reflexão, terem a capacidade para analisarem criticamente e tentarem superar aqueles pontos menos fortes.

7. Para os alunos que estão de malas feitas para o Estágio, quais as palavras a acrescentar?

Honrem o compromisso, representem bem a escola, abram portas para o futuro para os colegas que virão a seguir e dêem-se o seu melhor é isso que eu espero de vós.

Um bem-haja,
Lúcia Duarte,
André Trigueiro.

Sem comentários: